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Mostrando postagens de julho, 2025

1978

Eram quinze para meia-noite quando nasci, numa cesariana que também serviu para impedir minha mãe de ter mais filhos com uma laqueadura. Àquela altura, aos 30 anos, com dois filhos, a chegada do terceiro já devia ser preocupação o suficiente para encarar o risco de mais um. O último João Ninguém da casa não foi planejado, como ela me confessaria uns 25 anos mais tarde, o que sempre me fez pensar no quanto a vida deles seria diferente sem aquele acidente numa, imagino, noite de inverno quando fui concebido - em muitos pontos, para melhor. Segundo minha mãe, fui o bebê mais calmo de toda a humanidade. Tão calmo que beirava o anormal, do tipo que não chorava nem para mamar. "Ia te olhar no berço e você estava lá, quietinho." Essa calma inata, acredito, teve um papel na nossa ligação, já que meus irmãos - um irmão e uma irmã, na verdade - deram todo o trabalho deles e compensaram a minha parte. Tinha cinco anos a menos que minha irmã e seis a menos que meu irmão, o que determinav...